Dia Mundial da Poupança: como criar uma reserva financeira para a empresa

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Profissional analisando gráficos e indicadores em monitor de computador

Em 31 de outubro de 1924, no encerramento do primeiro congresso internacional de caixas econômicas, realizado em Milão, na Itália, os participantes proclamaram o Dia Mundial da Poupança, com a missão de estimular o hábito de guardar dinheiro. Um século depois, a data costuma ser associada às finanças das famílias, mas a lição vale igualmente para o caixa das pequenas empresas.

Toda empresa vai enfrentar, cedo ou tarde, um mês em que o dinheiro que entra não cobre o que sai: um cliente grande que atrasa, uma máquina que quebra no pico da produção, um trimestre de vendas fracas. A diferença entre atravessar esse período com tranquilidade ou recorrer ao cheque especial está numa decisão tomada muito antes: ter ou não uma reserva financeira da empresa.

Por que a empresa precisa de reserva

Capital de giro e reserva não são a mesma coisa. O capital de giro sustenta a operação normal, cobrindo o intervalo entre pagar fornecedores e receber dos clientes. A reserva é o colchão para o que foge do normal: queda inesperada de receita, despesa extraordinária, perda de um contrato ou atraso de um cliente relevante.

Sem esse colchão, a empresa fica vulnerável a crédito caro e decidido às pressas. Com ele, ganha tempo para ajustar custos, renegociar prazos ou esperar a recuperação das vendas sem comprometer a operação.

“Capital de giro e reserva não são a mesma coisa.”

Como definir o tamanho da reserva financeira da empresa

Não existe número único, mas uma referência comum é manter o equivalente a três a seis meses de custos fixos. O cálculo parte de uma pergunta: quanto a empresa gasta por mês mesmo que não venda nada?

Alguns fatores pedem uma reserva maior:

Empresas com receita pulverizada e recorrente podem trabalhar com uma reserva menor.

Onde deixar o dinheiro aplicado

A reserva precisa cumprir três requisitos, nesta ordem: segurança, liquidez e rendimento. De nada adianta uma aplicação rentável se o dinheiro não puder ser resgatado quando for preciso.

Opções usadas com frequência para esse fim:

Aplicações com carência longa, renda variável ou produtos complexos não são adequadas para a reserva. Também vale lembrar que o dinheiro da reserva deve ficar separado da conta de movimento, para não ser consumido aos poucos nas despesas do dia a dia.

Como formar a reserva sem sufocar o caixa

Poucas empresas conseguem separar de uma vez o valor ideal. O caminho mais realista é construir a reserva aos poucos:

Regras para usar a reserva

Uma reserva sem regras de uso acaba virando dinheiro para qualquer finalidade. Vale combinar entre os sócios, por escrito, em que situações ela pode ser acionada:

E o que não justifica usar a reserva: distribuição de lucros, compras por impulso, investimentos em expansão ou cobertura permanente de prejuízo. Se a empresa precisa da reserva todo mês, o problema não é de caixa, é de modelo de negócio, e exige revisão de preços e custos.

Depois de usada, a reserva deve ser recomposta com prioridade, seguindo o mesmo plano de aportes mensais.

O que você ainda pode perguntar

A reserva da empresa pode ficar na conta pessoal do sócio? Não é recomendado. Misturar recursos da empresa com os pessoais dificulta o controle, pode trazer problemas fiscais e contábeis e aumenta o risco de o dinheiro ser usado para outra finalidade.

Poupança é uma boa opção para a reserva da empresa? Pessoas jurídicas com fins lucrativos têm tributação diferente na poupança em relação à pessoa física, o que costuma reduzir sua atratividade. Títulos públicos pós-fixados e CDBs com liquidez diária tendem a ser alternativas mais eficientes.

Vale a pena quitar dívidas antes de formar a reserva? Depende do custo da dívida. Dívidas caras, como cheque especial, costumam custar muito mais do que qualquer aplicação rende. Em geral, faz sentido manter uma reserva mínima e usar o restante para quitar os débitos mais caros.

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